Essa entrevista tem como objetivo mostrar um pouco de como é a vida de um aquapaisagista e um pouco da história do nosso grande aquapaisagista Carlos Eduardo, desde como começou e até os dias de hoje.
O que fez te interessar pelo aquapaisagismo?
Em 2009 eu tive meu primeiro aquário plantado, mas bastante rudimentar. Usava húmus de minhoca e as plantas que eu tinha à mão aqui em Maringá, que basicamente eram cabombas, elódeas, rabo de raposa, valisnérias, etc. Em 2010 conheci o site do mestre Rony Suzuki e foi lá que adquiri as minhas primeiras plantas mais exigentes (ludwigias, glossostigma e Hemianthus Micranthemoides). Quando recebi a encomenda, recebi também os três primeiros exemplares da Revista Aqualon e através de uma série de matérias feitas pelo Américo Guazzelli, conheci o aquapaisagismo. A partir daí a paixão pelo aquapaisagismo surgiu e só cresceu. Passei a estudar cada vez mais.
Qual seu tempo de experiência no aquapaisagismo e conte-nos um pouco sobre?
No aquapaisagismo efetivamente eu comecei em 2010, quando conheci as matérias do Guazzelli. Meu primeiro aquário com plantas mais exigentes foi um aquarinho de 12 litros, ainda sem muito planejamento e montado meio “de qualquer jeito”. Como foi o ano que despertou meu interesse pelo aquapaisagismo, cheguei a mandá-lo para os concursos de aquapaisagismo, mas nem fauna possuía.
Em novembro de 2010, já com um pouquinho mais de noção dos conceitos do aquapaisagismo montei o que considero meu primeiro aquário planejado para concursos, um cubo de 30cm (cujo nome é Green Valley). Esse cubo foi pra mim um divisor de águas, pois deixei pra trás aquelas montagens rudimentares com filtros FVM, húmus de minhoca, garrafada, etc, e passei a usar produtos de qualidade como o substrato Amazônia da MBreda, filtragem hang on e cilindro de co2. Esse cubo ficou em 12º Lugar no CPA 2011, 15º Lugar no CBAP 2011 e 1º Lugar no Concurso de Aquapaisagismo do Fórum Vitória Reef.
No fim de 2011 eu tracei objetivos para o ano de 2012: 1- Entrar para o grupo NatureAqua. 2- Igualar ou melhorar minha posição no CPA, CBAP e IAPLC. Por enquanto estou conseguindo alcançar os objetivos. Entrei para o grupo NA através da seletiva e igualei minha posição no CPA conseguindo novamente o 12º lugar. Não sei como vai ser no CBAP e IAPLC, mas espero ficar próximo das posições alcançadas no ano passado.
O que aprendeu nessa vivência como o aquapaisagismo?
Acho que uma das maiores lições que eu tive nesse tempo de aquapaisagismo é que devemos manter sempre a humildade. Quando iniciei, achava que os grandes aquapaisagistas eram daquele tipo que não dão moral pra ninguém, principalmente para os iniciantes. Mas logo nos primeiros contatos, muitos deles se mostraram extremamente humildes e atenciosos, respondendo até as questões mais iniciantes possíveis. Cito como exemplos do que estou dizendo o Rony Suzuki, o Adriano Montoro e o Renato Kuroki, que foram os primeiros com quem fiz contato e me atenderam prontamente. É claro que não posso deixar de citar também o André Longarço e o Luca Galarraga que também nunca deixaram uma pergunta sem resposta, sempre atenciosos com os iniciantes.
Seus layouts são baseados em que?
Como eu gosto muito do uso de rochas, em regra eu busco inspiração em fotografias de montanhas, mas sinceramente não me prendo a uma imagem ou idéia inicial. Quando estou fazendo uma montagem, começo a colocar o hardscape e deixo fluir. Às vezes levo semanas mexendo uma rocha aqui, outra ali… o meu atual aquário levou mais de um mês para eu definir o hardscape.
Pelo que sei tem muita experiência com fertilização, como normalmente atua nos seus aquários?
Fertilização é um assunto que passou a me interessar muito quando peguei pela primeira vez uma planta que sempre quis ter: Staurogyne SP. Quanto peguei essa planta, comecei a ter problemas pois as folhas dela simplesmente derretiam de um dia para o outro e a minha solução foi estudar sobre fertilização.
Não sou bom em química, então às vezes não sei explicar a relação de uma coisa com outra, mas li muitos textos em português e em inglês sobre fertilização, deficiências nutricionais e principalmente sobre a relação dos nutrientes com as algas. Depois de muito estudo cheguei à conclusão de que aquela conversa de que muito nutriente causa alga é mito. Na verdade o que causa algas é o desequilíbrio entre os nutrientes (e claro, o co2 e luz). Dois exemplos: 1) Se seu aquário possui nitratos zerados e fosfatos presentes, esse desequilíbrio provavelmente irá aparecer através de cianobactérias. 2) Ao contrário, fosfatos baixos e nitratos presentes, provavelmente acarretará algas green spot. E por aí vai… filamentosas adoram a presença de amônia, etc.
Mas voltando à pergunta, nos meus aquários atualmente minha fertilização é baseada nos três fertilizantes da marca MBreda (Macro, Micro e Ferro) e no carbono orgânico da RC Flora:
Segunda-Feira: Macro + Carbono orgânico
Terça-Feira: Micro + Ferro + Carbono orgânico
Quarta-Feira: Carbono Orgânico
Quinta-Feira: Macro + Carbono orgânico
Sexta Feira: Micro + Ferro + Carbono orgânico
Sábado: Carbono Orgânico
Domingo: TPA de + ou – 50%.
Por que motivo resolveu criar o Grupo Aquapaisagismo Maringaense?
Quando comecei, o aquapaisagismo em Maringá era praticamente inexistente. Salvo poucas exceções, como o Fabiano Bossone por exemplo, não se via maringaenses participando de concursos ou montando aquários planejados para aquapaisagismo. Aliás, sequer produtos para aquários plantados se encontrava por aqui. Com o tempo fui fazendo amizades e ao menos uma das empresas resolveu investir pesado no aquarismo plantado, trazendo produtos e equipamentos de maior qualidade. Assim, considerando que foram aparecendo aquaristas de plantados em maior número, juntamos alguns amigos e resolvemos por em prática esse que era um dos meus principais objetivos, formar um grupo local pra que pudéssemos trocar experiências e alavancar o aquapaisagismo de Maringá. A criação do GMA gerou um efeito maravilhoso para o aquapaisagismo maringaense, pois muito mais gente vem manifestando seu interesse em aquários planejados e participação em concursos.
O que representou para você entrar no grupo NatureAqua e ganhar a seletiva em primeiro lugar?
Fazer parte desse seleto grupo de aquapaisagistas é a realização de um sonho e objetivo no aquapaisagismo. Quando montei o RockWall, tracei como objetivo ingressar no NA. Em regra, o NatureAqua admite membros após o aquapaisagista submeter sua montagem ao crivo de alguns dos membros do NA. No meu caso em especial foi uma dupla felicidade. Primeiro por ter passado pelo julgamento de alguns dos melhores aquapaisagistas do Brasil, e segundo pelo fato de ter sido selecionado como o melhor pontuado entre todos os participantes.
Fazer parte do NA é uma grande honra para mim, pois estou lado a lado com alguns dos melhores aquapaisagistas do Brasil, os quais hoje se tornaram grandes amigos. Sempre lembro que o site do NA foi uma das minhas primeiras fontes de pesquisa quando comecei no aquapaisagismo. Estudei muito (e ainda estudo) as montagens do Fabian Kussakawa, Renato Kuroki, Adriano Montoro e Américo Guazzelli, dentre outros.
Quais aquapaisagistas tem como referência?
Acho que antes de qualquer outro, o mestre Rony Suzuki é uma unanimidade, tanto como aquapaisagista como quanto pessoa. Além dele, eu estudo muito os layouts do Adriano Montoro, Fabian Kussakawa e Renato Kuroki. Cada um tem um estilo diferente e tento pegar o que mais gosto de cada um deles para chegar a um estilo próprio. Por exemplo, os aquários do Adriano tem como característica marcante os hardscapes agressivos, evidenciando muito as rochas. O Fabian tem uma técnica de poda e plantio inigualáveis. Não sei se conheço algum outro aquapaisagista com um domínio tão bom das plantas. Os aquários do Kuroki possuem um trabalho de sombras e zonas escuras que dão uma profundidade maravilhosa às suas montagens.
Além destes quatro, que são indiscutivelmente as minhas grandes referências, como não citar o Luca Galarraga? Apesar de eu ter pouco acesso às montagens dele, as que pude estudar são maravilhosas. Dos “gringos”, gosto muito do Filipe Oliveira, Long Tran Hoang e do Dave Chow.
Possui algumas dicas para quem está entrando nesse mundo do aquapaisagismo?
Dedicação, paciência e estudo. Não há como se montar um bom aquário de aquapaisagismo sem dedicação, pois sempre há algo a se fazer, seja uma troca de água, uma poda, fertilização, etc. Tenha paciência, pois o aquário e as plantas tem o seu ciclo natural. Não espere que seu aquário fique maravilhoso logo após plantar. Ele vai levar um bom tempo até as plantas se adaptarem, o sistema se estabilizar e as coisas começarem a andar bem. Estude bastante, leia o quanto puder sobre conceitos de aquapaisagismo. Compre e leia os livros do mestre Rony Suzuki (em especial um chamado Aquapaisagismo – Introdução ao aquário plantado). Analise fotos de aquários, estilos de layout, tipos de hardscapes, etc.
Uma outra sugestão para quem quer conhecer mais e tirar dúvidas sobre o aquapaisagismo é o fórum do Grupo NatureAqua (grupo.natureaqua.com.br).
E por fim, um conselho que eu dou é: Use produtos e equipamentos de boa qualidade. Na minha opinião isso é primordial para o bom desenvolvimento de um aquário. Não condeno quem gosta e usa por exemplo húmus como substrato e equipamentos FVM. Já fiz isso também, mas hoje eu digo a quem quiser ouvir: poupe seu tempo, invista em produtos de qualidade, principalmente quando se refere a substrato. Acho que o substrato é a primeira coisa que você deve investir, seguido de filtragem (biologia é a alma do aquário), cilindro de co2 (oscilação de co2 no aquário é uma das causas de algas), e iluminação (usei por muito tempo lâmpadas compactas de rosca e com muito sucesso).
Para quem quiser conhecer mais:
http://ingascaping.blogspot.com.br
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